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MEC anuncia que maioria dos diretores escolares pretende fazer provas de aferição

O Ministério da Educação anunciou no sábado que 57% dos diretores escolares pretendem realizar as provas de aferição do 2.º, 5.º e 8.º ano de escolaridade.

De acordo com uma nota do Ministério da Educação, menos de 8% dos diretores decidiram realizar as provas do 4.º e 6.º ano em conjunto com as provas dos 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade.

2% optaram por realizar apenas as provas do 4.º e do 6.º ano.

Os presidentes das associações de diretores escolares optaram por realizar as provas de aferição nas suas escolas, mas acreditam que metade dos estabelecimentos não as vai fazer por as mudanças terem sido aplicadas a meio do ano letivo.

Chegado ao fim o prazo para as escolas comunicarem ao Júri Nacional de Exames (JNE) a realização ou não das provas, que este ano terão caráter facultativo, a perceção dos diretores é que a escola pública está dividida.

“O que está em causa não é o mérito da prova, mas o facto de terem sido alteradas as regras a meio do ano letivo”, disse à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.

No agrupamento que dirige, em Gaia, decidiu fazer as provas, aplicadas no 2.º, 5.º, e 8.º anos de escolaridade, mas defende que todos os diretores têm o direito e o dever de tomar a decisão que consideram mais adequada, no âmbito da autonomia que lhes está conferida.

“Esta autonomia, os diretores dispensavam. Os diretores não querem autonomia para resolver problemas que não criaram”, desabafou.

Em março, ao anunciar a aprovação em Conselho de Ministros do novo modelo de avaliação, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, afirmou que as escolas podem decidir não realizar este ano as provas de aferição, desde que fundamentem essa decisão.

“Ainda não sabemos as fundamentações que o ministério vai aceitar ou não, mas não me passa pela cabeça que não aceite as decisões das escolas”, frisou.

Tanto Filinto Lima como Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), notaram ao longo das reuniões nas escolas que os pais também estão divididos sobre esta matéria.

O novo modelo de avaliação do ensino básico e secundário foi anunciado pelo ministro em janeiro. Acabam os exames no 4.º e no 6. ano, que tinham uma ponderação de 30 por cento na nota final do aluno.

Passam a realizar-se provas de aferição no 2.º, no 5.º e no 8.º ano, com o objetivo de perceber o estado das aprendizagens a meio do ciclo de ensino.

Manuel Pereira, diretor do Agrupamento General Serpa Pinto, em Cinfães, decidiu realizar a prova e, apesar de os professores serem contra, aceitaram a decisão.

Os pais, nota, também estão divididos: Onde há mais do que uma associação de pais notam-se mais as diferenças de opinião.

“Dos contactos que fui tendo nas últimas semanas com outros colegas, a impressão que tenho é que temos a escola portuguesa dividida ao meio. Sensivelmente metade das escolas, talvez um pouco mais, fará as provas e outra metade não”, disse o dirigente.

As provas, de Matemática e Português, com uma componente de Estudo do Meio, estão marcadas para junho.

“A verdade é que a maioria dos professores está contra, não pelas provas em si, mas pelo tempo e a forma como foram introduzidas neste calendário escolar, durante o ano letivo”, frisou Manuel Pereira.

O professor acredita que cada escola encontrou a sua fundamentação própria. Em alguns casos decidiram não ir contra a opinião expressa pelo conselho pedagógico, embora a decisão seja do diretor. Noutros casos havia “razões ponderosas” – conforme previsto no decreto-lei – para a escola decidir não fazer as provas, tendo outras atividades marcadas para esse dia.

“A verdade é que uma boa parte dos diretores decidiu não ir contra a decisão dos seus conselhos pedagógicos”, contou.

No próximo ano, as provas terão caráter universal e obrigatório.

Ao abrigo do regime transitório, foi também concedida às escolas a possibilidade de realizarem ainda este ano as provas finais (exames) do 4.º e do 6.º ano, o que Filinto Lima acredita ter menos adesão uma vez que esta avaliação é para acabar.

 

Fonte: http://www.educare.pt/

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