exames

Afinal, os professores são melhores do que os exames

O diretor-executivo da Associação dos Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) analisa o estudo da Nova School of Business and Economics.

Foi publicado no Expresso de 27 de setembro um pequeno artigo do professor Luís Cabral que passou largamente despercebido, mas que merece a maior das atenções. Neste artigo, apresentam-se os resultados de um estudo feito na Nova School of Business and Economics sobre o valor preditivo das notas do ensino secundário e das notas dos exames do secundário para o percurso de cada aluno no curso de Economia e Gestão da Nova, O que é novo neste estudo, e fascinante, é que os resultados apontam para a hipótese de os professores do ensino secundário serem melhores a avaliar os conhecimentos e competências dos alunos do que os exames nacionais! Isto é, as notas do secundário estão mais alinhadas com o percurso dos alunos nestes cursos do ensino superior do que as notas de exame.

Se pensarmos no assunto, faz sentido. A média final de um aluno do ensino secundário resulta das avaliações feitas por diversos professores ao longo de três anos. Já a nota dos exames resulta das respostas dadas a um pequeno número de questões num determinado ponto no tempo.

A única razão que nos pode levar a pensar que os exames seriam mais fiáveis na avaliação de um aluno do que os seus professores do ensino secundário é a desconfiança nas pessoas (os professores) e nas instituições (as escolas). O que este estudo traz de novo é que se deve confiar nos professores e nas suas competências profissionais. Claro que, como em todas as profissões, haverá alguns profissionais de menor qualidade. Mas a maioria é muito boa a avaliar os seus alunos.

É incompreensível que este artigo não tenha tido repercussão mediática. Especialmente se considerarmos o muito que se disse e escreveu no passado recente sobre a culpa dos professores e das escolas na diferença entre notas internas e externas. Afinal, o erro não está nas notas internas. Mas, também não está nos exames. Na verdade, como alguns vinham defendendo, a diferença entre as notas internas e as notas de exame podem ser explicadas por outros fatores que não o erro. Fatores como o esforço, a persistência e a melhoria são valorizados nas notas internas e não nos exames. E, como seria de esperar, quando os alunos ingressam no ensino superior, estas competências e características são tão (ou mais) importantes como “saber a matéria”.

Os exames medem o conhecimento do aluno demonstrado naquele momento e com aquelas questões. É um instrumento muito importante de regulação do ensino e da aprendizagem, mas não é o melhor instrumento de classificação de alunos ou de seriação de candidatos ao ensino superior!

O estudo em causa é limitado no universo. Mas, se estudos posteriores vierem a confirmar estes resultados e estas hipóteses, devemos repensar o modo como olhamos para os exames. Não para os eliminar ou diabolizar — são um instrumento muito importante de regulação do sistema —, mas para acabarmos com o disparate de pensar o ensino secundário como três anos de preparação para o exame.

 

 

Autor: Rodrigo Queiroz e Melo

Publicado no jornal Expresso no dia 25 de outubro de 2014

 

Sem comentários

Deixe uma resposta

*

*

336x280ad

Artigos Populares